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Arquivo para a categoria ‘Generailidades’

Reflexões ingênuas sobre o “amanhã de meu país”.

“Deste planalto central,
desta solidão que em breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais,
lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã de meu país
e antevejo esta alvorada com uma fé inquebrantável
e uma confiança sem limites no seu grande destino.”

Juscelino Kubistchek de Oliveira

Sobre a citação acima

Antes da inauguração de Brasília e, logo após o término da construção do Palácio da Alvorada, eu tive oportunidades de visitá-lo por diversas vezes. Acabei decorando o texto do JK, que estava visível na parede à direita da entrada principal do Palácio. Isto foi há mais de 52 anos atrás, nunca mais o esqueci, e continuo achando-os admiráveis. O texto e o autor. Admirável não era somente o JK, mas eram muitos outros membros da elite política brasileira na época e até hoje. Certamente, bem menos do que se esperava, hoje, apesar dos exemplos do passado. Em Brasília e depois, além de JK, Israel Pinheiro, Bernardo Sayão, Tancredo Neves, Ulisses Guimarães (que trocamos pelo Collor, inexplicavelmente), Itamar Franco, etc., etc. Todos, a par de seus defeitos congênitos, genéticos ou hereditários eram homens que pensavam no Brasil e no seu amanhã.

O texto também me lembra outros admiráveis. É uma lista tão grande, e por isto, quase inomináveis. Mas, um bom representante é o Prof. Roberto da Matta. Roberto da Matta, em prosa tem mostrado a necessidade de agirmos de forma a ajudar nas mudanças que se fazem necessárias para o expurgo dos entraves que adiam o amanhã brasileiro. Fica sendo ele o representante da enorme lista dos orgulhos nacionais e de nossa esperança.

Denúncias e dúvidas

O recente episódio da defenestração no DNIT e os respectivos escândalos levam-me ao senador Demóstenes Torres. Não posso esquecer a cara sarcástica quando ele, em frente às câmeras das televisões brasileiras disse, “O fogo pagô”, referindo-se ao responsável do DNIT recém saído. Cara sarcástica depois da decepção nacional do referido senador, que surpreendeu a grandíssima maioria que o via como um paladino de nossa expectativa em relação ao amanhã de meu país. Cada dia que passa, Abraham Lincoln, parece ter plena razão ao dizer, salvo variações: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”.

Se por um lado a declaração do senador, após seu decantado envolvimento com uma quadrilha (mas, ainda não provado, formalmente, pelo que parece) lança a dúvida. A imprensa que deveria nos ajudar a esclarecer, não tem sido fatual. Vivemos então um ambiente shakesperiano do “…ai, eis a dúvida.”

Mas, independente da confiabilidade do referido senador, não se pode ignorar o que ele disse sobre a nomeação do ministro Luiz Fux, a qual teria sido articulada com a intenção de que ele votasse a favor dos julgados no mensalão. Ora, verdade ou mentira, a princípio, homens como os que citei no encaminhamento da citação do JK teriam exigido uma posição clara e formal do senador ou se considerariam impedidos para o julgamento do século (até agora). Por razões parecidas, outro impedimento seria o do ministro José Antonio Dias Toffoli. A dúvida leva-nos de novo a uma comédia shakesperiana. Remeto-me a algumas figuras do passado como o ministro Victor Nunes Leal (presidente do STF, na época do Juscelino), a desembargadora Maria Teresa Braga (ex-presidenta do então Tribunal Eleitoral do DF e Territórios), entre outros, firmes na expectaiva do amanhã de meu país.(

Falando em comédia, a jornalista Lillian Witte Fibe impõem uma dúvida quando diz não entender porque a imprensa chama o fato de uma pessoa comum roubar alguma coisa (p. ex., uma blusa de frio), de roubo, enquanto o fato de um político, ou cidadão da elite brasileira que rouba milhões, de desvio. Afora as questões associadas às interpretações jurídicas dos veículos de comunicações em relação às duas palavras é mesmo, um componente adicional e hilário, no qual os bonecos de engonço somos nós, os brasileiros.

As organizações e o amanhã de meu país

As organizações brasileiras (instituições, empresas, ONGs, etc., etc.) estão sendo afetadas duramente pela impunidade generalizada. Uma metástase rondando o amanhã. As organizações públicas e aquelas organizações dominadas há anos por grupos bem definidos e agarrados é quem estão mais próximas do caos ético, principalmente. Já não dão importância para quem as sustentam. Estão perdendo o rumo. Fortalecem, indiscriminadamente, o pobres de caráter e aos poucos vão se firmando como, por enquanto, párias chamuscados pelo oportunismo. Recentemente, uma organização muito ligada à área na qual atuo contratou um indivíduo que além de ter cometido um roubo (o da blusa de frio, do exemplo acima) é um articulador negativo, ferrenho e anônimo. Esta organização, aos poucos acha-se a única preparada para produzir opiniões e posições técnicas alienando e agredindo, aberta e presunçosamente, a comunidade da qual ela sobrevive. O espírito da impunidade brasileira, impregnando as organizações cujo espírito corporativista aproxima-se do “sabe com quem está falando?”. Claro, pressupondo leniência da comunidade. É provável que, em breve tenhamos uma aplicação do pensamento de Abraham Lincoln, mais um vez.

Na última Revista Exame (Ano 46, No.8, 02/05/2012, A moda é mandar menos, pag. 117) a natureza hierárquica das decisões nas organizações está mudando. O Brasil, na referida reportagem recebe uma nota 75 em relação à centralização das decisões. Compare-se Dinamarca (17), Noruega (28), EEUU (37),…,Argentina (46),…, Paraguai e Peru (73). Isto no que diz respeito ao cenário interno da organização. Tratar um cliente (ou um membro do cenário externo), que seja, com desdém ou impondo constrangimentos pode ser fatal para a organização. Principalmente, se ela for detentora de um monopólio ou exclusividade de serviços. As organizações que lidam com a Internet possuem tais características.

Nossas organizações precisam se movimentar na direção do amanhã agregando respeito, ética, dignidade e comprometimento moral!

As atitudes pessoais

O Prof. Roberto da Matta, no refinado Manifesto da baixaria foi contundente: Critique abertamente e não se esconda no anonimato. Seja grosso com os pulhas que roubam o nosso dinheiro e discorde. Não escolha a pusilanimidade dominante.

Ingênuamene termino minhas primeiras reflexões. Às pessoas e organizações que estejam criando impasses para o amanhã de meu país vou dando uma nota que chamo de assimetria, pois elas estão divergindo e destoando da enorme maioria, essa um pouco silenciosa é verdade, mas que já fez demonstrações irreversíveis no passado. Uma memória didática sobre nossas experiências no passado está no livro da Miriam Leitão, Saga Brasileira: a longa luta de um povo por sua moeda, Record 2011.

Será que a imoralidade assimétrica não se toca?

Ando atento à CPI Mista (que por sinal está começando muitíssimo mal e, como sempre, vergonhosamente) e ao julgamento do Mensalão, do STF! Individualmente vou aumentando as notas assimétricas, embora otimista em relação à simetria do amanhã de meu país.

Cuidadosamente vou formando minha opinião. Por exemplo, entre o cândido deputado Vaccarezza e o Procurador Geral fico com o esse último, com algumas dúvidas por limitação de conhecimento de causa (reflexão dinâmica). Entre o presidente do PT e a imprensa fico com a imprensa sem, absolutamente, nenhuma dúvida (reflexão estática)!

Paciente sei qual será o futuro…

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